As primeiras experiências com respeito ao que
chamamos "calor" devem ter sido realizadas pelo "homem
das cavernas", afinal de contas ele descobriu como fazer
"fogo" para se aquecer e como usá-lo para se
alimentar.
As noções de "quente" e "frio"
são inatas no homem, e a "temperatura" do
ambiente se registra e assinala no cérebro por meios dos
milhões de terminais nervosos que têm extremidades em nossa
pele humana.
Entretanto, a resposta humana às sensações
de "quente" e "frio" são enganosas -
um homem com os olhos vendados não pode dizer se sua mão é
queimada pelo contato com um pedaço de ferro aquecido ao rubro,
ou congelada por um pedaço de gelo seco.
O calor um fluido?
O conceito de calor, embora não muito bem
definido, é conhecido desde tempos imemoriais. O historicamente,
o primeiro a falar do calor como uma definida entidade física,
cuja quantidade se pode medir, como medimos uma quantidade de
água, foi provavelmente um médico escocês, chamado James Black ( 1728 - 1799 ), interessado por física e química.
Considerava o calor como um fluido
imponderável, chamado "calórico", que podia
penetrar todos os corpos materiais aumentando sua temperatura.
Observando que ao misturar um volume de água quente com igual
volume de água fria, observou que a temperatura da mistura era
exatamente igual à a média das temperaturas iniciais, e
interpretou este fenômeno dizendo que o excesso de "calórico"
da água quente se reparte por igual entre as duas porções.
Nota
- provavelmente, Galileu Galilei foi o
primeiro a inventar um instrumento científico capaz de medir temperatura, em 1592!. A invenção de semelhante aparelho
também é atribuída ao hermetista Robert Fludd, ao físico
holandes Cornelius
Drebbel, ou o físico italiano Santorio Santorio.
*****
Black
introduziu a noção de "capacidade
calorífica" para diferentes materiais, caracterizada
por uma quantidade de calor necessária para elevar em um grau a
temperatura do sistema.
Para ele, o "calor latente"
era o calor necessário para converter o gelo en água gelada, ou
a água fervendo em vapor dágua. Pensava que acrescentando certa
quantidade do fluido imponder;avel do calor a um pedaço de gelo,
este perdia sua estrutura, convertendo-se em líquido, e que de
modo semelhante, acrescentando mais calor a ;agua quente, esta
perdia sua estrutura até converter-se em vapor.
O calor é movimento.
A idéia de que o calor seja uma espécie de movimento interior aos corpos, e não uma substância especial
como alguns acreditaram, surgiu pela primeira vez com um soldado
profissional, e foi desenvolvida numa fábrica de canhões.
Benjamin Thompson
, nasceu em Massachusetts, e participou da Guerra da
Indepência. Adotando a nacionalidade inglesa, veio a ser
subsecretário de Estado. Foi ministro da guerra na Baviera e
recebeu o título de conde de Rumford. Era interessado por
problemas científicos e pela natureza do calor.
Thompson
não estava convencido de que o calor era uma
substância, que unida ao gelo, produzia água, ou que era
liberada em distintos processos de combustão. Sua dúvida era o
fato de que o calor se "produzia do nada", mediante
fricção, que não tem nada a ver com transformação química.
Ao observar a perfuração de canhões na
fábrica de munições em Munich, se perguntava porque o ferro se
aquecia tanto. Examinou a possibilidade de que os corpos
materiais tivessem uma capacidade maior para o fluido calórico
quando constituem um bloco sólido do que quando estão reduzidos
a pequenos fragmentos, o que explicaria o desprendimento de calor
durante a perfuração do canhão, porque se produzia grande
quantidade de limalhas de metal.
Thompson
mediu a capacidade calorífica de um bloco de metal
sólido e de um mesmo peso de limalhas de metal, encontrando
exatamente o mesmo resultado. Tentou encontrar o peso do
"fluido calórico", pesando um corpo quente, e após
resfriado, mas o resultado foi nulo.
Tudo isto o levou a concluir que o calor não
pode ser uma substância ordinária, senão alguma coisa em
movimento. "O que é o calor? - escreve - Não pode ser
uma substância material. Me parece difícil, senão
absolutamente impossível, imaginar que o calor seja outra coisa
que aquilo que na perfuração do canhão, estava sendo
realizado, continuamente, no pedaço de metal quando o calor
aparecia, a saber, movimento."
O Equivalente Mecânico do
Calor.
As idéias de Rumford foram desenvolvidas
algumas décadas após pelo físico alemão Julius Robert
Mayer no seu livro
"Observações Sobre As Forças Da Natureza Inanimada"
( 1842 ).
Mayer dispôs uma experiência em uma fábrica de papel, onde
a polpa contida em uma grande caldeira era removida por um
mecanismo impulsionado por um cavalo que girava em círculo.
Medindo a elevação de temperatura da polpa obteve uma medida
numérica da quantidade de calor produzida por uma certa
quantidade de trabalho mecânico efetuado pelo cavalo. A
prática médica, impediu Mayer de realizar experimentos mais precisos.
James
Prescott Joule, inglês, mediu
exatamente o equivalente mecânico do calor. Seu aparato
experimental consistia de um recipiente cheio de água, que tinha
um eixo giratório com várias palhetas. A água do recipiente
não podia girar livremente ao mesmo tempo que as palhetas,
devido a um sistema especial inserido nas paredes do recipiente,
que aumentava a fricção interna.
O eixo com as palhetas era movido por um peso
suspenso através de uma polia, e o trabalho efetuado pelo peso
em sua descida era transformado em calor de atrito transferido
para a água. Conhecendo a quantidade de água no recipiente e
medindo a elevação de temperatura, Joule podia calcular a
quantidade total de calor produzido. Por outro lado, o produto do
peso impulsionador pela distância percorrida em sua descida, era
equivalente ao trabalho mecânico.
Repetindo o experimento várias vezes, em
diferentes circunstâncias, Joule estabeleceu que há uma relação de proporcionalidade direta entre o trabalho realizado e o calor produzido.
Em 1843, escrevia "O trabalho realizado por um peso de uma libra
que desce 772 pés, em Manchester, se é empregado na produção
de calor por fricção na água, elevará a temperatura de uma
libra de água em um grau Fahrenheit". É esta quantidade que se usa universalmente, para
traduzir a energia térmica em energia mecânica, ou vice-versa.
Hoje estabelecida como "caloria"
.